Fórum Internacional de Construção da Paz 2021

 

Comissão Japonesa de Governação Global

A Comissão Parlamentar da Dieta do Japão para a Federação Mundial

 

align="center"Como Timor-Leste alcançou a Reconciliação com a Indonésia e resolveu as Disputas Marítimas com a Austrália

 

por

KAY RALA XANANA GUSMÃO

 

Tóquio, Japão

 

25 de novembro de 2021

 

Sua Exa. Sr. Sei-shiro Eto, Presidente da Comissão Parlamentar da Dieta do Japão para o Federalismo Mundial,

Sua Exa. Professor Sukehiro Hasegawa, Ex-Representante Especial das Nações Unidas em Timor-Leste e Presidente da Comissão Japonesa de Governação Global,

 

Ilustres representantes dos Partidos Políticos do Japão,

 

Sua Exa. Sr. Tatsuo Fukuda, Presidente, Conselho Geral do Partido Liberal Democrático do Japão

Sua Exa. Sr. Tetsuro Fukuyama, Secretário-Geral do Partido Democrático Constitucional do Japão

Sua Exa. Sr. Muneo Suzuki, Membro sénior do Partido Inovação do Japão Nippon Ishin

Sua Exa. Madame Hiromi Takase, Membro do Komeito

Sua Exa. Sr. Yuichiro Tamaki, Presidente do Partido Democrático para o Povo

Sua Exa. Madame Mizuho Fukushima, Presidente do Partido Social Democrata (do Japão)

 

Excelências

Distintos convidados

Senhoras e senhores,

 

Ohayo Gozaimasu!”

 

Em primeiro lugar, agradeço o convite para participar neste evento. É um prazer dirigir-me a tantos amigos de longa-data, aqui hoje presentes.

O Japão tem uma expressão ativa para a construção da paz, não só internamente, mas em deliberações consistentes no âmbito internacional para se alcançar a paz mundial.

E se é importante o papel desempenhado pelo Dieta Nacional do Japão para uma governação global mais eficiente e inclusiva, isto nunca foi tão inadiável como nos tempos que correm.

É, como tal, uma grande honra juntar a minha voz à da Dieta Nacional do Japão para apelar para uma maior cooperação entre todas as nações do mundo, para um futuro de estabilidade, harmonia e prosperidade para todos os seres humanos.

Aqui, em nome do Povo Timorense, faço uma reverência a todos os Grandes Amigos de Timor-Leste, do Japão, e em especial ao Sr. Satsuki EDA, falecido muito recentemente. Em 1992, através da sua liderança, 293 membros da Dieta Japonesa assinaram uma carta ao Secretário-Geral da ONU, Boutros-Galli, exortando as Nações Unidas a pôr fim à repressão do povo timorense.

 

Senhoras e senhores,

É um grande prazer vir aqui hoje e abordar questões importantes, como a “Reconciliação com a Indonésia” e a “Resolução de Disputas ao abrigo do Direito do Mar”.

No próximo domingo, dia 28 de Novembro, faz quarenta e seis anos que, em Timor-Leste, percebendo já através de profundas infiltrações militares nas nossas regiões fronteiriças que a invasão estava iminente, declarámos unilateralmente a nossa independência. Nove dias depois, em 7 de dezembro de 1975, fomos invadidos, em muitas frentes, e anexados pela Indonésia. Esta foi uma invasão brutal por dezenas de milhares de soldados armados com equipamentos pesados, contra pessoas que estavam desamparadas e despreparadas para lidar com uma guerra.

Ainda assim, diante do extermínio ou dominação total por uma potência estrangeira, optámos por lutar com o melhor da nossa capacidade.

Quando nos tornámos uma nação independente, em 20 de maio de 2002, como o 191.º Estado-Membro das Nações Unidas, éramos um país pequeno e destruído, muito pobre e traumatizado pela guerra. E, enquanto fator geográfico importante, Timor-Leste estava situado entre dois gigantes: a Austrália e a Indonésia.

Tivemos, claro, o apoio da Comunidade e Organizações Internacionais para sustentar os nossos primeiros passos.

E não posso perder esta oportunidade para, mais uma vez, destacar a agradecer o magnifico apoio da solidariedade japonesa, através dos Amigos de Timor, bem como o apoio financeiro e o envio unidades de engenharia das suas Forças de Autodefesa para participarem nas operações de manutenção de paz em Timor-Leste, a primeira missão internacional depois da Segunda Guerra Mundial.

Foi, também, aqui em Tóquio, em 1999, e logo após o nosso referendo, que teve lugar a nossa primeira Reunião com os Parceiros de Desenvolvimento, indicando o relevante papel que o Japão viria a ter na construção da nossa nação.

E neste processo de construção, quisemos acreditar que os poderosos nem sempre prevalecem perante os fracos. Mas para não ser fracos faltava-nos um último ato de coragem: perdoar, deixar as mágoas do passado no passado e avançar para um processo de reconciliação.

Reconciliação entre timorenses, vítimas de uma campanha orquestrada para nos dividir, e reconciliação com o país ocupante, com a tomada de consciência que tanto timorenses como indonésios foram vítimas de um mesmo regime, para percorrermos agora juntos o processo de transição democrática. Leia mais....